Linhas Teatrais

Às vezes, do absoluto nada, pareço estar sob um holofote. É como se eu mesma me visse parada, sob o palco de um teatro, vendo meu próprio cérebro entrar em colapso.

Três criaturas zombam de mim. Riem, choram, atormentam-me com as mais horríveis ideias. “Este ser sequer merece ser amado?” Dizem enquanto riem do meu corpo caído. De seus dedos esqueléticos e sombrios, saem linhas vermelhas que eu sei onde conectam. É sua fonte de poder.

Cada um desses fios conectam-se à partes de meu cérebro nos quais elas me torturam. Puxam essas linhas, fazendo meu órgão e meu corpo ceder aos seus desejos. As lágrimas em meus olhos, o sangue derramado em uma tentativa de acalmá-las, o álcool despejado ao chão na primeira oportunidade de tentar abafá-las. É tudo em vão.

A mente é o pior inferno do homem. Ela sabe suas fraquezas e lhe envenena. Ela derrama ácido em velhas cicatrizes e se recusa a te deixar em paz. Pelo menos, é como a minha funciona.

Para a minha surpresa, as cortinas se fecharam. Eu não entendia muito bem o que estava para acontecer. Sempre que as cortinas se fechavam, algo ruim acontecia. Deveria me preparar. Mas… não foi isso que aconteceu.

Abrem-se as cortinas. Meu corpo, antes caído, ensanguentado e cheio de lágrimas, agora encarava, de olhos arregalados, o teto da construção que se encontrava. Algo… alguém, me abraçava. Eu sentia o calor… sabia que estava acontecendo. Esse alguém clamava meu nome. Sussurrava palavras doces em meu ouvido. Acariciava meus cabelos e fazia as sombras soltarem seus fios teatrais.

Elas encaravam-lhe com ódio, mas ele não me soltava. Suas palavras não eram incertezas; eram certezas. Elas não eram mentiras; eram verdades. Puros sentimentos dos quais eu nunca pensei ser merecedora.

Capaz de sentir minha própria consciência voltar, mais forte que nunca, enterrei meu rosto sobre seu ombro. Ele sabia das minhas sombras, conhecera meus defeitos melhor que ninguém.

Meu querido, do qual jazia do outro lado da tela de vidro… me acalentava no meio da minha agonia. Beijava meu rosto, me assegurava. Dizia que me ama. E as vozes… pela primeira vez, suas vozes eram abafadas. Eu sorria. Sentia o gostinho da felicidade em meio a agonia.

Ao apertar-lhe contra meu peito, sentir o calor de seu rosto próximo ao meu e contar os batimentos dos nossos corações em uníssono… palavras doces e poderosas escapavam de meus lábios.

“Eu te amo.”

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