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O legado é a educação, diz dirigente de ensino Magda de Moraes

*Texto por Kauhan Sabino e Cristiano Archangelo.

No dia 7 de abril (quarta-feira), Dia do Jornalista, a Dirigente de Ensino de Limeira, Magda de Moraes, voltou a ser entrevistada pelos alunos da rede Camões de jornais escolares. Um ano após inaugurar o “Conversas Sábias”, a dirigente recebeu os alunos via meet, às 14 horas. Com ajuda do professor Ronualdo Oliveira, da Escola Estadual Marciano de Toledo Piza, a entrevistada enfatizou o legado de sua vida dedicada ao ensino púbico. Com duração de mais de trinta minutos, Magda abordou questões relacionadas a educação, racismo e terraplanismo, o antigo modelo de ensino e muito mais! Além de enfatizar a necessidade de adaptação, respeitando o tempo, pois a educação é viva e está sempre em mudança:

“Ele (professor) tem que se adaptar, um dos únicos profissionais que não vai poder continuar parado onde ele estava porque ele vai ser atropelado pela história, pelos alunos, pela própria educação viva.”



Confira a entrevista na íntegra:

Jornal Quincas Borba: É possível, no meio da educação, mudar a mente dos professores em relação ao ensino?                     

Magda: Por mais resistente que seja, ele é obrigado a mudar sempre. Desde que eu entrei na educação, a gente vem tendo mudanças – eu vejo como mudanças -, vocês com certeza, ao entrar em uma sala de aula, vocês vão tentar reproduzir aquilo que vocês passaram anos aprendendo. Não só todo o conteúdo, mas o comportamento do professor, então, terão um espelho. Quando entrei era aquele negócio: a rigidez. Se o aluno acertasse tudo era bom, se ele errou o problema era dele.

Durante todo esse tempo foi mudando essa visão, hoje o importante é a aprendizagem, então é assim: eu “tô” lá para fazer o aluno aprender  e isso exigiu a mudança já no processo de muitos professores mais antigos que eu, que eram do tempo que eu vou fazer prova para ferrar aluno; a própria história da educação vem mudando e exigindo esse tipo de mudança dos professores, algumas vezes ela muda de uma forma mais light. O tempo todo tem pessoas que são mais difíceis de se adaptarem, então assim, a educação é muito viva, ela muda o tempo todo, então ela exige que a gente se adapte à realidade que a gente tá vivendo hoje, e hoje a realidade é nós termos que nos adaptar aos meios virtuais.

[…] a própria história da educação vem mudando e exigindo esse tipo de mudança dos professores, algumas vezes ela muda de uma forma mais light.



Exigiu-se sim dos profissionais da educação, para uns um sacrifício pequeno e para outros um sacrifício enorme; e tinha quem não “tava” nem um pouquinho acostumado, tecnologia que conhecia um pouco e rasinho assim um Whatsapp, e de repente você tem que transmitir uma aula e de repente você tem que se adaptar ao Centro de Mídias e de repente você tem que entrar no Classroom; tudo isso foi importante e o professor tem que se adaptar, eu acho que ele é um dos únicos profissionais que não vai poder ficar parado onde ele tava, ele vai ser atropelado pelas histórias, pelos alunos,  pela própria educação.

Então, é muito difícil, mais fácil para uns, mas está todo mundo se adaptando. Então a gente tem visto assim, ações incríveis de professores que se adaptaram. Eu não sei que diretora que falou: eu só fui tentar fazer uma reunião depois que você puxou minha orelha, eu ri demais por que não foi bem um puxão de orelha, eu fui falar: “viu, você tem que se adaptar” e ela se adaptou e eu acho que a escola dela funciona virtualmente que é uma belezinha. A educação é muito viva, sendo fácil ou sendo difícil, a gente tem que entrar nessa onda da história, a gente tem que acompanhar a educação que continuar viva seja o que for.


Jornal Darwin: Qual um modelo bom para combater o terraplanismo e o negacionismo dentro da escola?

Magda: Eu sou favorável, em primeiro lugar, a liberdade de expressão: eu tenho direito de acreditar naquilo que eu quero, só que como educadora, eu tenho que apresentar o conhecimento, e o que cada aluno vai fazer com esse conhecimento é problema dele. Cada aluno vai trabalhar de uma forma com o conhecimento. Eu não vou trabalhar para combater, eu vou trabalhar para informar.

Eu não vou ter o direito de combater essa visão, mas eu tenho a obrigação, enquanto educadora, de informar, formar e levar conhecimento para que o aluno forme a sua opinião. É nossa obrigação: apresentar uma gama de informações para que cada um se situe dentro da sua opinião, mude ou permaneça. Estamos lá para influenciar opiniões do ser humano.

Eu não vou trabalhar para combater, eu vou trabalhar para informar.

Jornal do Camões: Você acha que as escolas estão conseguindo combater alguns pensamentos, como, por exemplo, o racismo e bullying? E a escola é o pilar para combatê-los?

Magda: É exatamente o que falei: vamos levar conhecimento, informação dentro da escola. Se você for parar para pensar, por exemplo, Monteiro Lobato. Como ele trabalhava os textos dele fazendo a “preta” na cozinha? Que era a Dona Benta. Então, você deixará de apresentar esse conhecimento ao aluno? Não! Mas irá contextualiza-lo, no tempo que aconteceu, fazer uma ponte no tempo de hoje o que acontece. 

Você vai levar conhecimentos de história, geografia, biologia,  ciências, em relação até o tom da pele. Você não vai chegar em um aluno e falar para ele: Não! Você precisa que ele incorpore o conhecimento. Porque senão vou continuar fazendo. A mesma situação do bullying, enquanto formadora, nós tínhamos na escola que eu trabalhava,  eu trabalhava com mediação de conflitos, e um dos itens é, a primeira coisa que eu fazia: E se fosse com você, o que você faria? A reflexão é tudo: em caso de racismo, em caso de bullyng. Então, muitas vezes eu escutava a resposta assim: Eu dava um murro na cara dele se fizesse isso comigo. Mas ele deu um murro da sua cara? Não. E se fosse com você, você estaria bem mais bravo do que ele estava. A intenção é que ele incorpore tudo isso.

Eu acho que a escola tem esse papel na veia. O aluno tem que chegar à conclusão que “eu não posso fazer isso”. Não é o não pelo não. Se você tem medo do seu pai, a primeira vez que for mais poderoso que ele, você irá bater de frente. Agora se você tem respeito por ele, será uma situação diferente.

Se você promover a reflexão de que “eu não vou fazer porque eu estou tirando direito do outro”, assim você consegue fazer esse papel da escola. E é isso que vai ser levado para a sociedade.

[…]  aluno tem que chegar à conclusão que “eu não posso fazer isso”. Não é o não pelo não.  

Jornal Clarice Lispector: Qual o maior legado da senhora até o momento?

Magda: Pessoalmente: Meu filho, meu orgulho. Educado, carinhoso, responsável, principalmente honesto. O segundo, foi adentrar na educação. E isso eu devo a minha mãe. Eu trabalhei 13 anos em indústria, na área de marketing , primeiro na usina açucareira e depois em uma empresa. E minha sonhava que eu virasse professora, tinha feito licenciatura em Artes. Um dia minha empresa fechou e fiquei desempregada, né? E minha mãe muito católica, levou minha carteira de trabalho para uma das viagens que ela fazia para a Nossa Senhora da Rosa Mística.

Bem, caiu no colo a educação. E quando entrei percebi que esse era meu caminho que não tinha assumido antes. Então meu maior legado é ter passado pela vida de tantos jovens e ter marcado de alguma forma. Eu tenho no meu face pessoas que foram meus alunos, hoje já são mães e pais. Eles chegam para mim e perguntam: Você se lembra lá, a gente estava no primeiro ano, sete aninhos, e você foi ensinar dobraduras. E você fez um copo e fomos tomar água nesse copinho de papel? Então, isso para mim é um legado. E você vai percebendo, pela vida, a força que a palavra do professor tem.

Já aconteceu de reencontrar um aluno que estava jogando futebol no Bahia. E ele me disse: eu fui atrás do meu sonho, por causa de você! E eu falei: mas não dei aula para você! E ele respondeu: é que você era coordenadora da escola e você assistia a aula de educação física. E você me falava, você tem futuro. E ele acabou virando jogador.

Então, às vezes não temos essa dimensão. O meu legado é essa devolutiva. Essa felicidade que em algum momento eu toquei a aprendizagem desse aluno. A educação, para quem está dentro, é um legado.

Rede Camões: Qual o recado que você deixa o pessoal do Camões os alunos de escola pública?

Magda: Tem uma frase que gosto muito, que já usei na última vez, não lembro dela perfeitamente. Mas é uma frase de Einstein: A mente que se abre ao novo, jamais volta a ter o mesmo tamanho, é mais menos alguma coisa assim. Uma outra coisa que li que acho perfeita é: Eu posso não gostar da educação, mas é ela que vai fazer eu trabalhar naquilo que eu gosto. Pode ter certeza, um dia, uma hora ou outra, você irá utilizar aquilo que recebeu em uma aula. Sua mente expande e não volta a ser pequenininha. Todo conhecimento é importante.

É extremamente importante que aproveitem o máximo esse período.


Confira a entrevista completa em vídeo:

Escute no nosso podcast:

#19 – Entrevista com Antonio Archangelo Jornal do Camões

  1. #19 – Entrevista com Antonio Archangelo
  2. #18 – Relatos discentes sobre o Método Camões
  3. #17: Entrevista com Rafael Cristofoletti Girro, editor-chefe da Revista do Camões
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