Não acho que tenhamos aversão ao cinema nacional, há falta de recursos, diz criador da premiada série “22”

Reportagem: Kauhan Sabino, Guinter Samuel, Pedro Leonardo, Julia Bueno e Alice Espírito Santo

A afeição dos brasileiros por heróis e histórias gringas não é de hoje. Os enlatados norte-americanos e europeus ganham a preferência da audiência brasileira seja no Netflix, Amazon Prime, Disney Plus ou Youtube, porém “não há uma aversão ao cinema nacional”. Quem afirma isso é o diretor e criador da premiada série “22”, Plínio Scambora que conversou com o CAMÕES na última “CONVERSA SÁBIA” de 2020.

Ele citou, assim com o diretor João Paulo Miranda Maria, há falta de recursos para a criação de superproduções genuinamente nacionais.

 Com presença do rapper Young Mascka, Mc Livinho e de membros da Recayd Mob, entre eles, Jé Santiago, Derek e Dfideliz, a série “22”. A produção foi indicado a várias categorias do prêmio #RIOWEBFEST2020. São elas: Melhor Webserie, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Direção e Melhor Elenco. 

Passada em São Paulo no ano de 2022, a atração mostra uma cidade praticamente vazia onde milhões de pessoas morreram por conta da pandemia de coronavírus.

Confira a entrevista:

CAMÕES: Como veio a paixão por escrever?

Plinio Scambora: Eu não sei explicar direito de onde ela vem… Eu escrevia histórias em quadrinhos desde muito novo, então eu já gostava de fazer isso há muito tempo.

CAMÕES: Qual foi, além da pandemia, sua maior inspiração para escrever a série “22”?

Plinio Scambora: Vinte e dois foi baseada em muitas coisas, além da pandemia, obviamente, ela se baseia nas comédias negras americanas (“Um maluco no Pedaço”, “Eu, a patroa e as crianças”, “Todo mundo odeia o Chris”, etc.) Apesar de não ser classificada assim, é desse jeito que eu gosto de ver a série, já que pra mim esse humor representa grande parte do Brasil.

CAMÕES: Você acha que a visão da série é um pouco pessimista? Você acredita que estamos no caos?

Plinio Scambora: Eu, particularmente, não acho que a série tenha um visão pessimista, muito pelo contrário, nós não temos o costume de mostrar na nossa dramaturgia, o Brasil em um universo paralelo. Nos filmes estrangeiros, apenas as grandes cidades mundiais saem destruídas, e isso não é uma coisa ruim. Eu acho que a série passa muito uma visão voltada a amizade, companheirismo, estar com os seus, entende? E esse momento é perfeito para olhar pra tudo isso e dar as mãos, ficar junto, tudo isso importa muito nessas situações…


Sobre o humano estar na beira do caos, eu acredito que a nossa espécie sempre encontra uma saída, somos acusados frequentemente de destruir o planeta (com razão), mas também existem pessoas que fazem coisas boas no mundo, nós olhamos muito mais para as coisas ruim do que para as boas. Devíamos olhar mais para o lado bom…

Plinio Scambora

CAMÕES: O brasileiro tem aversão ao cinema nacional? Quais os motivos que nos levam a consumir séries estrangeiras?

Plinio Scambora: Não concordo com essa hipótese, mas reconheço que há um certo preconceito quanto a qualidade dos filmes brasileiros… Um dos problemas que causa essa crença, é que nós temos menos investimento e temos um indústria totalmente dependente de dinheiro público, mas isso irá mudar, o mercado será totalmente aquecido.

CAMÕES: Qual o papel do cinema (cultural e intelectual) na formação dos brasileiros do futuro

Plinio Scambora: O cinema nacional vem de uma cultura extremamente rica e isso serve para que todos se identifiquem e saibam das suas origens. Nós temos uma tendência muito grande a copiar os gringos, eu mesmo adoro muitos deles, mas o cinema brasileiro é algo nosso, que ninguém copia: “Cidade de Deus” e “O alto da compadecida”, por exemplo.

CAMÕES: Qual o recado que você deixa aos alunos das escola públicas?

Plinio Scambora: Nada é impossível, pode até parecer, mas não é. Dentro da nossa casa, nós somos criados para colocar as expectativas lá em baixo, para que não fiquemos frustrados. E isso não é culpa de ninguém, os nosso país não querem nos ver frustrados. Eu sempre tive esse ”problema” de sonhar alto, mas se você realmente quiser, e acreditar que aquilo é possível, você consegue.

Ta curioso? Corre lá e assista a série “22”:

Aproveita escuta a entrevista na íntegra no nosso podcast: Poemas Uivantes Para Seres Falantes.

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